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terça-feira, 7 de agosto de 2007

ALÉM DE TUDO, A MEMÓRIA

A Casa Fernando Pessoa, inaugurada em 1993, é um equipamento cultural da Câmara Municipal de Lisboa e ocupa o prédio urbano sito na Rua Coelho da Rocha, n.º 16, a Campo de Ourique.
Do edifício original onde Fernando Pessoa habitou partir de 1920, e até à data do seu falecimento (1935), foi conservada apenas a fachada, tendo o interior sido alvo de profundas obras de reconstrução e de adaptação às novas finalidades, conforme projecto de arquitectura da autoria de Daniela Ermano.
Hoje, podemos subir o primeiro lanço da escada de acesso ao andar onde Fernando Pessoa habitou (o 1.º anadar esquerdo), tocar o mesmo corrimão, e podemos visitar o espaço que, embora reconstruído, corresponde ao espaço do antigo quarto do poeta, lugar onde se guarda a estante com a sua biblioteca pessoa e a cómoda que foi sua.
A Casa Fernando Pessoa apresenta-se como um centro cultural e de vivência literária, onde têm lugar as mais variadas actividades, desde visitas de estudo, ateliers infantis dedicados aos mais jovens, apresentação de livros, conferências, debates, exposição de artes plásticas e de fotografia, etc.
Saliente-se que a Casa inclui uma biblioteca especializada em poesia portuguesa e estrangeira, dotada de uma boa área de referência, servido a pesquisa e a investigação em torno da obra de Fernando Pessoa.
A Casa Fernando Pessoa edita a revista “Tabacaria”, órgão de comunicação cultural da instituição (a edição está de momento suspensa).
Desde 1993, e até ao presente, a Casa Fernando Pessoa foi dirigida e acompanhada por Manuela Júdice (1993-1999), por Clara Ferreira Alves (2002-2006), e por Francisco José Viegas (nomeado director em Fevereiro de 2006).

[Fonte: Imagem – Estante e biblioteca pessoal de Fernando Pessoa colocadas no quarto dito de Fernando Pessoa. Fotografia disponível em
www.mundopessoa.blogspot.com]

sábado, 28 de julho de 2007

OS GRANDES PORTUGUESES DA RTP

Entre Janeiro e Março de 2007 o País acompanhou a eleição do maior português de entre os grandes portugueses. Qual concurso para a eleição da "Miss Portugal 2007", os modelos foram criteriosamente “vestidos” por especialistas, cada qual exibindo os melhores dotes. Coube a Fernando Pessoa ser “vestido” por Clara Ferreira Alves.
Fernando Pessoa teve a honra de participar no rol dos dez finalistas, numa competição desde logo bipolarizada entre António de Oliveira Salazar e Álvaro Cunhal, num despique de paixões políticas que acordou antigos ódios e fantasmas.
É agora óbvio, os poetas, os maiores de Portugal, Camões e Pessoa, jamais poderiam ter ganho uma luta tão desigual.
Alegra-nos saber que Fernando Pessoa só entrou nesta competição porque foi arrastado por muitos que lhe conhecem o nome sem lhe conhecer a obra.
Não foi ele quem perdeu. Fomos nós que não lhe ouvimos estas palavras sábias sobre António de Oliveira Salazar:

No meio de um povo de incoerentes, de verbosos, de maledicentes por impotência e espirituosos por falta de assunto intelectual, o lente de Coimbra (Santo Deus!, de Coimbra!) marcou como se tivesse caído de uma Inglaterra astral. Depois dos Afonsos Costas, dos Cunhas Leais, de toda a eloquência parlamentar sem ontem nem amanhã na inteligência nem na vontade, a sua simplicidade dura e fria pareceu qualquer cousa de brônzeo e de fundamental […]

“Salazar acabou por ser eleito o maior português de sempre, e sem surpresa!”


[Fonte: Imagem − Fernando Pessoa. Desenho de Almada Negreiros, datado de 30.11.1935. Google]